“A Moura Encantada”, texto de António Cabral, é a Xª produção de URZE-Teatro, estreada no passado dia 1 de Junho no Teatro de Vila Real. Esta Produção, a qual a Direcção da Companhia definiu como um trabalho arrojado, quer em termos artísticos quer financeiros, foi alvo de uma adesão surpreende de público, contabilizando-se em 10 dias, 21 espectáculos num total de cerca de 5.000 espectadores, dos quais 90% contam-se crianças dos ensinos pré-escolar e I.º Ciclo dos Concelhos de Vila Real e Sabrosa. Nesta altura encontra-se já em análise a intenção de repor o mesmo espectáculo no terceiro trimestre do ano, direccionando o espectáculo para a população em geral e para os estabelecimentos de ensino de outros Concelhos da região Norte do País em particular, dada as solicitações que o mesmo tem tido.
Em nota de rodapé, poder-se-á dizer que o resultado tem surpreendido toda equipa de URZE-Teatro, dado os comentários e a satisfação com o público tem aderido ao espectáculo. A surpresa, a magia, a interacção com o público, as mensagens, bem como o espírito festivo e fantástico do espectáculo faz de todos “crianças apaixonadas pelo sonho”.
Para fazer face, as despesas elevadas da produção da “A Moura Encantada”, URZE-Teatro aguarda com expectativa, durante este mês, os resultados do Concurso Pontual de Apoio às Artes do Espectáculo de 2004, promovidos pelo Instituto das Artes e pela Delegação Regional da Cultura do Norte (instituição sedeada em Vila Real), o qual poderá libertar o “aperto” financeiro em que a Companhia vem passando desde 2003.
Para além desta “maratona” de espectáculos, apresentados no recém Teatro de Vila Real, encontram-se já programados espectáculos nos Concelhos de Penedono, Vila Pouca de Aguiar, Sabrosa, Alijó, Valpaços e Macedo de Cavaleiros.
Por outro lado, esta produção para além de se mostrar como uma aposta dinamizadora da actividade teatral na região Transmontana e Alto Duriense, a mesma assume-se também como um projecto artístico-cultural destinado a todos os públicos, tendo o mesmo, a particularidade de responder a uma intenção artística há muito pretendida por esta Companhia, em desenvolver um espectáculo a partir de contos e lendas transmontanas e alto-durienses, com as quais a população se identificasse.
A relação já institucionalizada com o Escritor António Cabral resultou neste primeiro trabalho num enorme sucesso, prevendo-se uma continuação mais aprofundada desta ligação já a pensar nos anos que se seguem.
SINOPSE (por António Cabral)
Este texto foi concebido e escrito por mim, António Cabral, a convite de URZE-Teatro, com o propósito de responder à temática da mitologia popular portuguesa na versão regional de Trás-os-Montes e Alto Douro.
No geral, “A Moura Encantada” é o sonho de um menino que presencia numa Feira, números artísticos de grupos populares, e continua a magicar no que viu e ouviu, prolongando-se-lhe a fantasia durante o sono. Algumas das imagens não as captara tão bem como desejaria, devido à interferência de bulícios e ruídos. É então que a Fada acorre em sua ajuda, conduzindo-o a um bosque onde aquilo que o atraiu na Feira se vai repetir num ambiente fantástico de mãos dadas com o fundo real da vida quotidiana. E assim aparece em todo o seu fascínio a lenda da Moura Encantada no “Cantar de Cegos”, lenda que constitui a referência central da peça em que os restantes quadros se encaixam harmonicamente, com os desenvolvimentos que a lógica teatral vai justificando.
Deparamos com os Palhaços, Robertos e uma Rusga, números típicos das feiras tradicionais, mas também com cenas por eles desencadeadas, numa oposição constante entre a Fada, o Menino e a Moura Encantada, por um lado, e a Feiticeira e o Lobisomem, forças adversárias, por outro. A beleza da vida, o sonho e o deleite a contracenarem com o que também nas tradições existe de insegurança e de medo. O encanto que a Fada exerce sobre tudo, chega a contagiar a Feiticeira e o Lobisomem que por vezes se esquecem do que são e participam alegremente na festa. Mas só por vezes, pois o seu instinto acaba por irromper numa tendência para desfeitear a Fada e os seus intentos. É nesta linha que aparecem os feitiços e os caprichos maldosos da Feiticeira e do Lobisomem, ao quererem molestar o Menino, a Moura Encantada e um casal de pequenos agricultores. A Fada porém, antolha-se-lhes neste caso como superior e invulnerável, ao servir-se tanto das necessárias precauções como talismãs.
O lado bom e o lado mau da vida em cada um de nós, sem que para nenhum deles se lobrigue aqui uma vitória final. Valha-nos o sonho e a poesia – é talvez a mensagem desta peça de teatro. O menino acaba por ser o grande herói, ao salvar a Moura Encantada.
Ficha Técnica
Direcção Artística – Glória de Sousa
Encenação – Colectiva (URZE-Teatro)
Direcção de Actores – Fábio Timor
Cenografia – J. Freire
Música – Pedro Botelho
Figurinos – Adelaide Serra
Desenho de Luz – Pedro Pires Cabral
Operação técnica – André Cesário
Elenco
Renato Aires
Glória de Sousa
Liliana Olhero
Andreia Vasconcelos
Fábio Timor
(o espectáculo poderá ser visto até ao final do mês)
FEIRA DO GRANITO – Vila Pouca de Aguiar
19 (sábado) às 21:30min.
Auditório Municipal de Penedono
23 (quarta) às 10:30min. / 14:30min.
Valpaços, Alijó e Macedo de Cavaleiros
(ainda sem datas marcada)
Sabrosa
(durante o mês de Julho)
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