Não acontece só aos outros. A SIDA faz milhares de vítimas diariamente. A comunidade homossexual começou por ser a primeira a quem o dedo era apontado, seguindo-se os toxicodependentes e prostitutas. Contudo, a Sida não escolhe as suas vítimas por sexo, raça, credo, cor, orientação sexual, profissão, escalão etário ou extracto social.
Os números da SIDA em Portugal
Em Portugal, já foram declarados até Junho de 1992, cerca de 1000 casos de SIDA. A evolução da situação desde 1985 demonstra que a epidemia atinge todos os distritos do país e tende a agravar-se. A disseminação do vírus na população heterossexual é altamente preocupante.
E os números não deixam dúvidas. Portugal é o país da União Europeia (UE) que mais casos da doença regista por milhão de habitantes. A taxa média de incidência na UE, em Dezembro de 2000, situava-se nos 22,5 casos por milhão de habitantes. Portugal registou 104,2 casos por milhão de habitantes. Os números foram revelados pelo Instituto Nacional de Estatística.
No entanto, o número de mortes em 2000 traduz uma redução de três pontos percentuais em relação a 1999. Desde que foi iniciado o rastreio da doença em Portugal, o grupo etário mais afectado foi o dos 25 aos 29 anos. A ONU/Sida estima em 36 mil o número de portugueses infectados pelo VIH em finais de 1999, dos quais sete mil são mulheres.
Os números da SIDA em Vila Real
A Comissão de Luta contra Sida (CMLCS) revelou que, no distrito de Vila Real, foram notificados desde 1989, 96 casos de Sida. Destes, 36 contraíram comprovadamente a doença e 25 já faleceram. Contudo, estima-se que o número real de pessoas infectadas seja bastante superior. O desconhecimento do verdadeiro número, deves-se ao facto de a sida não ser uma doença infecto-contagiosa de declaração obrigatória. Para minimizar o problema, a CDLCS pretende instalar, no primeiro trimestre de 2002, em Vila Real o primeiro centro de diagnóstico anónimo da região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
O que é a SIDA
A SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é uma doença causada por um vírus, o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH, ou HIV na língua inglesa) que ataca o sistema imunitário do nosso organismo, destruindo a nossa capacidade de defesa em relação a muitas doenças.
O doente infectado pelo VIH fica progressivamente débil, frágil e pode contrair várias doenças que o podem levar à morte. Estas doenças normalmente não atacam as pessoas com um sistema imunitário que funcione bem, pelo que são designadas por “doenças oportunistas”.
Tal como no caso de outras infecções, o sistema imunitário de uma pessoa infectada pelo VIH produz anticorpos contra este vírus, os quais são detectáveis no sangue através da realização de um teste simples. Quando estes anticorpos são detectados diz-se que uma pessoa é seropositiva.
Uma pessoa seropositiva pode não ter quaisquer sinais ou sintomas da doença, aparentando um estado saudável durante um período que pode atingir vários anos. No entanto, essa pessoa está infectada e, porque o vírus está presente no seu organismo, pode, durante todo esse tempo, transmiti-lo a uma outra pessoa.
A SIDA só aparece muito mais tarde e relaciona-se com a degradação progressiva do sistema imunitário e a concomitante baixa das defesas contra outras doenças que usualmente não afectam uma pessoa saudável. Assim, a doença – fase última de uma infecção que pode ter vários anos de evolução -, só é diagnosticada quando aparecem doenças oportunistas ou quando determinadas análises clínicas estão alteradas.
Como se transmite o VIH?
Através de: sangue, secreções sexuais e da mãe infectada para o filho.
A via sexual é a mais frequente, sendo os vírus transmitidos através do esperma e líquidos vaginais por quaisquer práticas sexuais, sejam elas heterossexuais ou homossexuais, desde que um dos parceiros esteja infectado. Qualquer das relações – vaginal, oral ou anal é potencialmente infectante.
A transmissão por via sanguínea ocorre pela partilha de seringas infectadas, como acontece entre indivíduos toxicodependentes por via intravenosa e ainda pelo uso de objectos cortantes ou perfurantes quando contaminados, como sejam as agulhas de acunpultura, material de “manicure”, de calista, de barbeiro e para furar orelhas, etc.
A transmissão por via sanguínea através da transfusão de sangue ou derivados, está hoje em dia praticamente resolvida pela selecção de dadores e pelos testes laboratoriais realizados em todas as colheitas de sangue.
A transmissão de uma mãe infectada para o filho pode ocorrer durante a gravidez ou ainda no parto ou pós-parto. A transmissão por via digestiva é também possível no caso de crianças amamentadas por mães infectadas.
As grávidas infectadas deverão ser aconselhadas a interromper a gravidez, mas a decisão do aborto será sempre da mãe ou do casal.
Os VIH não se transmitem pelo ar, tosse ou espirro, por insectos, por animais domésticos, por alimentos ou pelo contacto com a pele sã.
Por esta razão a SIDA não se contrai nos contactos sociais, no ambiente de trabalho, em piscinas, saunas, restaurantes, transportes públicos, nem por uso de telefones ou casas de banho públicas.
Não há portanto nenhuma razão para descriminar os indivíduos infectados, nomeadamente no convívio social, locais de trabalho e escolas.
Como evitar ser infectado pelo VIH
Não existindo medicamento curativo nem vacina que impeça o VIH da sua marcha devastadora, os únicos meios de combater a propagação da infecção são os seguintes:
· Tendo vida sexual activa, opte por ter relações sexuais com um único parceiro/a não infectado, cuja vida sexual conheça. Em todos os outros casos, use sempre preservativo do início ao fim da relação sexual. Numa relação sexual de risco, o preservativo tem mostrado ser o único meio preventivo, desde que devidamente utilizado. Deve ser colocado desde o início da fase de excitação sexual e ser retirado logo após o acto sexual, quando o pénis está ainda erecto. Os indivíduos seropositivos, após relação sexual, devem dar um nó no preservativo antes de o deitar no lixo ou na sanita para evitar derramar o esperma infectado.
· Reduza o número de parceiros/as sexuais. Evite ter relações sexuais com prostitutas/os ou outras pessoas com múltiplos parceiros/as sexuais. Sempre que não haja segurança quanto ao risco da relação sexual, deve abster-se de a praticar.
· Se usar agulhas ou seringas ou outros instrumentos que perfurem a pele assegure-se de que são de uso único ou que estão esterilizados. Nunca partilhe material para a administração de drogas intravenosas (o preferível é evitá-las).
· Evite engravidar se estiver infectada ou o seu parceiro infectado pelos VIH.
· Nunca dê sangue, esperma, leite, tecidos ou órgãos se for seropositivo/a.
A SIDA não se transmite através de:
· Aperto de mão
· Tosse ou espirro
· Loiça e talheres
· Picada de insectos
· Conversa
· Beijos
· Roupa
· Casas de banho
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