Algumas pessoas estão em plena forma com o vento fresco e suportam mal o sol, outras fogem do nevoeiro. O nosso organismo tem de estar preparado para se adaptar às diferentes condições atmosféricas. Somos todos “meteo sensíveis”.
A biometeorologia, que consiste em analisar a influência dos climas sobre o organismo, tornou-se hoje em dia uma ciência cujo fim é prevenir as pessoas em risco – asmáticos, entre outros – e prever pessoas e ambulâncias em número suficiente para as tratar o melhor possível. Assim, em Hong Kong, os planos dos serviços pneumonológicos dos hospitais são afixados em cada dia para o seguinte, em função das previsões de crises de asma. Na Alemanha, os médicos dos hospitais podem consultar o boletim meteorológico da manhã e rejeitar se necessário as intervenções não urgentes. Mas o clima é só um factor de risco entre outros.
A poluição intervém também no surgimento de certas patologias. É o clima que favorece a concentração ou, ao contrário, a dispersão das partículas. Cada estação do ano regista inegavelmente o “pico” de males, pequenos ou grandes, que se devem conhecer para melhor se proteger.
No Outono, o nevoeiro, céu nublado e a chuva favorecem enxaquecas e doenças pulmonares. Aliás, com o tempo nublado, a poluição não se dispersa. As crises de asma também demonstram a sua relação com a mudança de temperatura.
O reumatismo é outra afecção sensível à humidade e ao frio. A artrose conhece o seu “pico” no Outono, abrandando com o tempo quente e seco. Quando está frio, as articulações tornam-se rígidas e dolorosas, pois o líquido sinovial (que lubrifica a membrana percorrendo o interior das articulações), pouco protegido pelos músculos e gordura, espalha-se. Enfim, o frio, a humidade e os ventos violentos tornam as membranas mais permeáveis.
Quando o céu fica cinzento, constatamos uma baixa de energia… é normal: a glândula pineal – cuja secreção está subordinada à luz ambiente – produz a melatonina. Pelo menos, há luz. No caso de algumas pessoas, tal pode chegar à depressão “invernal” que nasceria do desnível entre os relógios biológicos internos e o meio ambiente exterior.
O que fazer? Esta depressão cura-se muito bem com a simples exposição a uma luz artificial. Mas para se proteger disso e se prevenir da falta de vitamina D, é necessário sair o mais possível e aproveitar o menor raio de sol.
No Inverno, deve ter-se atenção ao frio. Ele provoca uma aceleração dos batimentos cardíacos e uma contracção dos vasos sanguíneos, que separam a necessidade de oxigénio do organismo. Os vasos de uma coração cansado não podem fornecê-lo sempre.
Cada vez que a temperatura baixa 10º C em relação à média da estação, o risco de acidentes cardiovasculares aumenta, sendo mais frequentes quando a temperatura cai para baixo dos 0ºC (enfarte miocárdio ou cerebral).
Os boletins meteorológicos estão, por isso, longe de ser supérfluos: a chegada de um fluxo anticiclónico de Este, com vento seco, ou um tempo frio e húmido vindo do Este ou então um arrefecimento brutal devido ao vento do Norte, sobretudo se se acompanha pela primeira neve, são sinais de alerta. O que fazer? Cobrir-se bem, sobrepondo peças de vestuário finas, separadas por camadas de ar. Evitar, se possível, esforços físicos súbitos ou mesmo abrandar o ritmo de trabalho. Os doentes que sofrem de bronquite crónica ou de enfisema deverão proteger as suas fossas nasais com um “esconde-nariz”, a fim de respirarem um ar aquecido: o Inverno assegura com efeito uma sobrevivência mais longa aos vírus, grandes amantes do ar frio e húmido.
Na Primavera, o tempo é caprichoso e as repentinas variações de temperatura desencadeiam reacções brutais ao nível das fibras nervosas, como a contracção ou a dilatação dos vasos. Os insuficientes respiratórios, os que sofrem de enxaqueca, os que são frágeis do coração e os hipertensos são os mais afectados.
Com o pólen, voltam as constipações, conjuntivites e asmas de origem alérgica, que se agravam quando o vento sopra. O que fazer? Se necessário, dever-se-á meter em casa.
O Verão é o período em que o nosso tónus está no auge, em que o sol reforça os nossos ossos e os nossos dentes e aumenta a nossa libido. O Verão melhora a maioria dos nossos males. Aliás, o nº de mortos é bem menor do que no Inverno Mas este efeito protector não se mantém se a temperatura subir, pois o sangue torna-se mais fluido e dai o risco de hemorragias cerebrais. E quando o calor e a falta de vento se conjugam, poder-se-á verificar o ponto alto do ozono, poluente que altera a circulação sanguínea e faz aumentar o risco de doenças cardiovasculares. O que fazer? É necessário evitar o exercício ao are livre. Se se tem problemas oftalmológicos nestes períodos de muito calor, tais como conjuntivites, é preciso ter atenção.
O risco de flebites é muito grande com o forte calor, sobretudo se for húmido. O que fazer? Ao longo das vagas de calor, para que a termo regulação se restabeleça, é necessário ficar à sobra nos primeiros dias, em locais arejados; beber muitos líquidos por dia, tomar banho muitas vezes e refrescar a cara, braços e pernas um vaporizador de água, por exemplo.
Em suma, o nosso corpo é um belo e bom termómetro!
A agente do GEA de Resende, Cláudia Alves do Amaral Pinto
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