A Paixão de Cristo, é descrita numa passagem Bíblica, narrando os últimos dias de Jesus na Terra, onde após a Última Ceia com os Discípulos, vive o maior de todos os sofrimentos, humilhações e rejeições, jamais sofridos por outro ser humano, levando à sua Crucificação e morte.
Como a Deus nada é impossível, depois de todo este suplício, é anunciada a Salvação de todos os crentes através da Ressurreição de seu Filho.
Esta representação foi levada a cabo nas datas seguintes, por voluntários das próprias Freguesias, coordenados pelo Pároco Joaquim Pires, pároco das quatro Freguesias:
•Sábado, 3 de Abril de 2004 na Freguesia de Souto Maior (Concelho de Sabrosa);
•Segunda-feira, 5 de Abril de 2004 na Freguesia de S. Lourenço de Riba Pinhão (Concelho de Sabrosa);
•Quarta-feira, 7 de Abril de 2004 na Freguesia de parada do Pinhão (Concelho de Sabrosa);
•Terça-feira, 6 de Abril de 2004, foi também representada na Freguesia de Vilar de Maçada, Concelho de Alijó.
De todos os locais onde se realizou este bonito evento, este artigo cinge-se , apenas, a S. Lourenço de Riba Pinhão, onde estive presente.
A Paixão de Cristo foi representada por gestos, slides e poucas intervenções faladas, tendo sido a resumida passagem bíblica, narrada por um suposto homem com seus 85 anos de idade, contador de histórias...
CENA I
Velhote – Muito boa noite! Pois é, caros amigos, com 85 anos um homem não anseia mais que viver o restos dos dias em paz e harmonia e ir transmitindo aos mais novos o saber que se foi adquirindo com o correr da vida! Passo os meus dias a contar histórias aos mais novos! Eles gostam e eu também, porque me distraio e me sinto útil! Bom, hoje vou contar-vos a história mais belas de que alguma vez ouvi falar!
Há cerca de 2000 anos, numa cidade muito pequenina, chamada Belém, nasceu o menino, igual a tantos outros meninos, mas este tinha algo de especial! Aconteceram com ele coisas maravilhosas, nunca antes vistas: começou por nascer de uma mulher virgem e depois de crescer começou a curar muitos doentes, caminhava sobre as águas, amainava as tempestades, multiplicava o pão e criticava duramente a hipocrisia das autoridades do seu tempo! Isto começou a incomodar muita gente!
CENA II
Velhote – ora, tudo começou numa 5ª Feira: está próxima a páscoa dos judeus e Jesus quis celebrar esta festa com 12 dos seus discípulos, que o acompanhavam desde o início da sua pregação e a quem tinha escolhido de entre muitos outros para serem seus mensageiros!
Era costume fazer-se uma ceia em que se comemorava a saída do Egipto do povo de Israel, em que todos se reuniam e comiam cordeiro! No entanto, esta Ceia foi especial, nela Jesus fez uma coisa muito bonita, que o mundo não mais esquecerá!
Quando estava reunido com os seus discípulos pegou num pouco de pão, deu Graças a Deus, partiu-o e deu-o aos seus discípulos e disse:
(Jesus) - « Isto é o meu Corpo, tomai e comei!»
Depois pegou num cálice com vinho e fez o mesmo, dizendo:
(Jesus) - « Este é o cálice do meu Sangue, tomai e bebei»
Depois mandou que fizessem aquilo, sempre que se reunissem, em sua memória!
Nessa ceia houve um discípulo que saiu mais cedo, foi Judas Escariotes!
CENA III
Velhote - Enquanto Jesus e os outros discípulos acabavam a ceia, Judas foi ter com Sumos Sacerdotes e os doutores da Lei e, combinou entregar-lhes Jesus a troco de trinta moedas de prata!
Entretanto Jesus saiu e, como de costume, foi para o monte das oliveiras e os seus discípulos acompanharam-no! Jesus pediu-lhes que rezassem e afastou-se cerca de trinta metros.
Começou então a rezar, pedindo a deus que o ajudasse nos momentos, que Ele sabia, eram os últimos da sua vida!
Levantando-se da oração, foi ter com seus discípulos, encontrou-os a dormir e perguntou-lhes:
Jesus - «Porque estais a dormir? Levantai-vos e rezai, para não cairdes em tentação!»
Velhote – Enquanto ainda falava, apareceu Judas e vinha com ele uma multidão armada de espadas e varapaus! Judas tinha combinado com eles que um beijo seria o sinal, para entregar Jesus!
Judas aproximou-se imediatamente de Jesus e beijou-o! Logo os outros avançaram e prenderam Jesus. Os discípulos ainda tentaram ajudar Jesus, mas depois fugiram!
CENA IV
Velhote – Levaram-no a casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde os doutores da lei e os anciãos estavam reunidos. Procuravam algum falso testemunho contra Jesus, a fim de o condenarem á morte! Mas não conseguiram encontrar nenhum, embora se apresentassem muitas testemunhas a jurar falso.
Entretanto, Pedro seguiu Jesus de longe, até ao pátio da casa de Sumo Sacerdote, para ver como terminaria tudo aquilo.
Uma criada chegou perto dele e disse:
Criada - «Tu também estavas com Jesus, o Galileu!»
Velhote – Mas Pedro negou dizendo:
Pedro - «Não sei o que estás a dizer!»
Velhote – E saiu para a entrada do pátio.
Pouco depois, a empregada voltou e insistiu:
Criada - «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno!»
Velhote – Pedro negou outra vez, jurando:
Pedro - «Nem conheço esse homem!»
Velhote – Veio depois um guarda, aproximou-se de Pedro e disse:
Guarda - «De facto tu também es um deles, porque es Galileu!»
Velhote – Pedro respondeu:
Pedro - «Homem eu não sei do que estás a falar!»
Velhote – Nesse momento, ainda Pedro falava, um galo cantou. Então Jesus passou e voltando-se olhou para Pedro, Pedro lembrou-se de que Jesus lhe tinha dito:
(Jesus) - «Hoje, antes de o galo cantar, negar-me-ás três vezes.»
Velhote – E chorou amargamente!
CENA V
Velhote – Levaram então, Jesus ao Sinédrio e de seguida a Pilatos. Pilatos não encontrou nenhum motivo para condenar Jesus e porque era galileu, mandou que o levassem a Heródes. Este tratou Jesus com desprezo e remeteu-os novamente para Pilatos.
Era costume, em cada festa da Páscoa, Pilatos soltar um prisioneiro.
As autoridades judaicas manipulavam o povo, a fim de que este pedisse a liberdade de Barrabás e a morte de Jesus.
Pilatos perguntou-lhes:
Pilatos - «Quem quereis que vos solte?»
Velhote – E a multidão respondeu:
Multidão - «Barrabás!»
Velhote – Então o governador romano perguntou:
Pilatos - «E o que faço com Jesus?»
Velhote – Todos a uma só voz, responderam:
Multidão - «Crucifica-o! Crucifica-o!»
Velhote – Então Pilatos disse-lhes:
Pilatos - «Mas que mal fez ele?»
Velhote – A multidão continuou a gritar:
Multidão - «Crucifica-o! Crucifica-o!»
Velhote – Pilatos, vendo que nada conseguia e que o povo ainda se podia revoltar, mandou vir água, lavou as mãos diante de toso e disse:
Pilatos - «Eu não serei culpado da morte deste homem!»
Velhote - Mandou, depois, que Jesus fosse açoitado e entregue para o crucificarem.
CENA VI
Velhote – Fizeram uma cruz de madeira, formada por dois madeiros transversais, certamente bem pesados e puseram-na aos ombros de Jesus. Uns ombros feridos pelas torturas da noite e um corpo que mal se arrastava pelas ruas de Jerusalém.
Jesus, em silêncio, carregou a cruz às costas e dirigiu-se para um lugar chamado «Calvário», que em hebraico se diz Gólgota.
A caminho do Calvário, Jesus caiu uma primeira vez sob o peso da cruz. Caiu para depois se levantar num esforço por chegar ao monte que se situava fora da cidade.
Carregando sobre os seus débeis ombros a pesada cruz, avança em direcção ao lugar da execução. É normal que tenha caído uma vez mais, nas pedras da calçada.
Nessa altura uma mulher saindo do meio da multidão e num gesto de amor, com um pano limpou-lhe o rosto ensanguentado.
Jesus levantou-se novamente e prosseguiu. Mas o peso da cruz e os maus tratos que tinha recebido, obrigaram-no a cais novamente. O filho de Deus, de tal maneira incarnou na nossa humanidade, que desceu ao ponto de se tornar um miserável, deitado no chão e esmagado sob o peso da cruz.
Foi então que os soldados decidiram obrigar um homem que passava a levar a cruz de Jesus. Esse homem era Simão de Cirene.
CENA VII
Velhote - Ao chegarem ao Calvário Jesus foi despido. Era a hora tércia, isto é, as três horas da tarde de sexta feira quando o crucificaram. Colocaram sobre sua cabeça um letreiro com a causa da condenação: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus».
Jesus sabia que tinha chegado o seu fim. Subitamente o sol deixou de brilhar e toda a terra ficou escura. Então Jesus deu um grande grito e disse:
Jesus - «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.»
Velhote – Mal acabou de pronunciar estas palavras, morreu!
O corpo de Jesus foi colocado num sepulcro, que pertencia a José de arimateia e que não concordara com aquela morte!
Aparentemente, a história acabou e o sistema que condenou Jesus venceu e pode ficar tranquilo! Mas as mulheres preparam-se para de madrugada irem ao sepulcro: algo maravilhoso está para acontecer!!!
(Abrindo-se a cortina do Palco pela última vez durante a representação, aparece Jesus Ressuscitado!)”
Chegado ao fim, o público rondando as 100 pessoas, aplaudiu calorosamente todos os actores, ajudantes e intervenientes, que conseguiram levar a bom porto, durante uma hora, este bonito evento!
ACTORES
Narrador – Dr. Carlos (Cabeda – Vilar de Maçada)
Jesus – José Luís (Parada do Pinhão)
Discípulos – Luís Rocha (Souto Maior)
– José João Silva (Souto Maior)
– Duarte Santos (Souto Maior)
– José Penas (Souto Maior)
– Domingos Vilaças (Souto Maior)
– Ana Ribeiro (Vilar de Maçada)
– Cátia Mota (Vilar de Maçada)
– António Garcia (Souto Maior)
– Soraia Branco (S. Lourenço)
– Sidónia Costa (Parada do Pinhão)
– Liliana Martinho (Vilar de Maçada)
– José Silva (Souto Maior)
Guardas – Rafael Vilaças (Souto Maior)
– Tiago Teixeira (Souto Maior)
– Domingos Vilaças (Souto Maior)
– Luís Rocha (Souto Maior)
Criada – Carla Sequeira (Vilar de Maçada)
Malfeitores – Andreia Mourão (S. Lourenço)
– Ana Emília (S. Lourenço)
Pilatos - António Garcia (Souto Maior)
Barrabás – Tiago Teixeira (Souto Maior)
Maria Madalena – Clara (Souto Maior)
– Ana Emília (S. Lourenço)
Verónica – Diana (Vilar de Maçada)
Simão de Cirene – Duarte Santos (Souto Maior)
Maria – Celina Vilela (S. Lourenço)
– Márcia Rocha (Souto Maior)
João – Rui (Balsa)
Ajudantes – José Rocha (Souto Maior)
– José Garcia (Souto Maior)
– José Moutinho (Souto Maior)
MÚSICAS (Pároco Joaquim Pires)
Bandas Sonoras: Príncipe do Egipto,
Missão BRAVEHEART
CENÁRIO/ILUMINAÇÃO
José Rocha
José Moutinho
José Garcia
PROJECÇÃO DE SLIDES
Pároco Joaquim Pires
ENCENAÇÃO
Pároco Joaquim Pires
Rui Queirós
COORDENAÇÃO
Pároco Joaquim Pires
M. Fátima Correia – Intermediária do GAC de Provesende
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