Dono da Águas do Marão, que interpôs providência cautelar para parar o túnel do Marão, prevê "prejuízos de milhões", embora o também patrão da Pousada do Marão reconheça que o acesso é fundamental para o turismo.
Imersos em abundante nevoeiro e debaixo chuva, trabalhadores do consórcio Auto-Estradas do Marão continuavam ontem a trabalhar. Mas não no interior do túnel, tanto na vertente de Amarante como na da Vila Real. Faz hoje uma semana que não há rebentamentos nem outro tipo de manobra para fazer avançar as quatro bocas da empreitada. E assim se manterá até que o juiz do Tribunal Administrativo de Penafiel tome uma decisão sobre a providência cautelar interposta pela Águas do Marão. Invocou que as obras do túnel prejudicam as nascentes de água, uma vez que estão a ser feitas a cerca de 600 metros do local da captação.
António Pereira, administrador das Águas do Marão, considera que as obras de perfuração da serra, "a fazerem-se, vão tornar inoperacional a fábrica, o que irá causar milhões de euros de prejuízo". "Com um dreno daqueles (túnel) a água vai lá toda parar. Não vou permitir que se ponha em causa a viabilidade de uma empresa com 25 anos. É o estudo de impacto ambiental que declara que tal vai acontecer", garantiu, ao JN. Ou seja, o medo do empresário é de perder as águas subterrâneas, embora nãohaja, neste momento, contaminação. O empresário, que é também dono da Pousada do Marão, a escassos metros da fábrica de águas, denuncia o uso de elevadas cargas de dinamite que "já provocaram fissuras quer na pousada quer na piscina. Os estrondos causam enormes sustos e incómodos aos hóspedes".
António Pereira adiantou, também, que responsáveis da Estradas de Portugal lhe garantiram que o traçado do túnel "nunca seria este" que está a ser tomado pelo rumo das actuais obras. Mas faz notar que não está contra a obra - refira-se que enquanto dono da Pousada do Marão, em declarações ao JN, Pereira defendeu a construção do túnel como uma mais-valia para o turismo - entende, agora, que para a Águas do Marão o túnel é nefasto.
Entretanto, segundo fonte oficial da empresa Somague, líder do consórcio, disse, ao JN, que durante manhã de hoje "vão ser apresentadas ao juiz as justificações para que a obra possa continuar". Acrescentou que a providência cautelar "não tem razão de ser, porque foi apresentada com base, apenas, em suposições". O magistrado terá cinco dias úteis para tomar uma decisão definitiva.
Até lá continuam a ser realizados alguns trabalhos no exterior do túnel, pois "apesar das obras de construção terem parado há outras que podem ser feitas, igualmente importantes", notou a fonte. Talvez por isso, alguns populares, que habitualmente gostam de apreciar o vaivém de operários e máquinas, não se tenham apercebido logo dos efeitos da providência cautelar.
António Fonseca, residente da Campeã, aproveitou o regresso a casa para mais uma vez espreitar o túnel. António Oliveira vive em Amarante e, como está reformado, gosta de dar uma volta pela zona e pensa que "as obras do túnel não vão implicar com a captação da Águas do Marão".
O Ministério das Obras Públicas também está convencido do mesmo. Uma fonte oficial adiantou que está a ser cumprida a Declaração de Impacto Ambiental emitida no ano passado, que prevê a monitorização das obras, bem como o seu impacto na captação da Águas do Marão.
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