O presidente do Metro de Mirandela não acredita que o relatório final sobre as causas do último acidente na Linha do Tua esteja pronto no próximo dia 22, data estipulada pelo Ministo dos Transportes.
"Já estamos habituados. Nesta região, o tempo corre mais devagar do que em qualquer outro ponto do país". É desta forma que José Silvano, presidente da Câmara e do Metro de Mirandela, reage ao facto de ter demorado 52 dias para retirarem a composição do Metro acidentada.
"Não me lembro de nenhum acidente grave em que as autoridades tenham demorado tanto tempo para remover um veículo acidentado", acrescenta o também presidente do Município de Mirandela, confirmando que os trabalhos foram concluídos na passada segunda-feira, depois de alguns dias de estudos e simulações por parte de elementos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e de outras equipas de Espanha e Suiça especializadas em caminhos de ferro, bem como dos elementos que fazem parte da Comissão Técnica do Inquérito (CTI).
Para a remoção da automotora foi construída uma linha férrea paralela para poder fazer circular a composição até ser colocada de novo na via férrea, sendo rebocada até à estação de Foz-Tua por outra automotora do Metro e daí até aos estaleiros da Empresa de Manutenção do Equipamento Ferroviário (EMEF), em Matosinhos, para posterior reparação.
No entanto, fonte da CTI informou o JN que ainda vão ser realizados algumas verificações na composição, nos próximos dias. A acrescentar a esta situação, Raimundo Delgado, coordenador do estudo da FEUP, no dia seguinte ao Ministro dos Transportes ter aceite prorrogar o prazo de apresentação do relatório final, afirmou, ao JN, que em 30 dias "é impossível apresentar conclusões científicas sobre o que esteve na génese deste acidente", dizia o especialista, tendo em conta que a maior parte dos testes serão produzidos em laboratório, o que implica uma enorme complexidade.
Por tudo isto, Silvano não acredita que na próxima semana esteja concluído o relatório final pedido por Mário Lino. No entanto, ressalva que não se importa de esperar um pouco mais, desde que sejam encontradas as causas que têm levado a estes sucessivos acidentes. Caso contrário, "a desilusão será grande e os responsáveis pelas instituições envolvidas no inquérito vão ficar sem credibilidade na praça pública".
Mas, o edil avisa que o arrastar deste processo poderá por em causa a empresa do Metro, provocando a sua falência, por se tratar de uma pequena empresa com dez trabalhadores e que durante este período tem mais de 500 euros diários de despesas acrescidas com o transporte rodoviário alternativo. O autarca teme que os operadores turisticos comecem a escolher percursos alternativos e deixem de visitar o vale do Tua.
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