A medida de coação foi-lhe aplicada, ontem, pelo Tribunal de Sabrosa depois de o ouvir em primeiro interrogatório.
José M. veio do Brasil, onde estava emigrado, para assassinar Liliana Santos, que há cerca de três semanas tinha regressado a Portugal. Vítima de violência doméstica continuada, Liliana, de 26 anos, apresentou queixa às autoridades brasileiras contra o companheiro, de 36. Foi detido por alguns dias enquanto ela era repatriada, juntamente com uma filha de ambos com oito meses, tendo escolhido a casa dos pais, em Donelo, para se esconder.
No passado sábado à noite, José M. emboscou-se atrás do portão de acesso à casa. Quando Liliana, na companhia de duas filhas e dos pais, regressaram a casa de um excursão ao Minho, desferiu-lhe dois tiros de caçadeira e ainda lhe esmagou o crânio à coronhada quando já jazia no chão a alguns metros da residência. A seguir fugiu, mas viria a entregar-se no posto da GNR de Sabrosa ao final da manhã de domingo.
Viviane, a bebé que Liliana trazia ao colo, foi atingida no peito e no abdómen por um dos tiros. A menina permanece internada no Hospital de São João, no Porto, mas já livre de perigo. “Está bem. Hoje [ontem] já comeu uma papa”, disse o avô, Valentim Graça, acrescentando que “em princípio ainda será sujeita a uma operação antes de regressar a casa”. Raquel, a irmã de Liliana que foi atingida por alguns chumbos nas pernas, está a recuperar em casa, mas socorre-se de muletas para caminhar.
Ontem, a família enlutada foi visitada pelos presidentes da Câmara de Sabrosa e da Junta de Covas do Douro, para juntamente com a Comissão de Protecção de Menores em Risco avaliarem as condições dos órfãos: dois estão em casa dos avós maternos e outros dois na dos avós paternos, na aldeia de Provesende.
O funeral de Liliana realiza-se esta terça-feira, às 19 horas, no cemitério de Donelo.
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