"Com 14 assalariados, basta faltarem dois para ser necessário recorrer aos voluntários. Nessa situação, como posso pedir, por exemplo, às empresas para disponibilizarem funcionários durante mais de oito horas?", questionou, em declarações à Lusa, o comandante dos Bombeiros da Cruz Verde de Vila Real.
Fernando Mota defende, por isso, que as corporações de bombeiros deviam ter "acesso à requisição civil em determinadas situações".
Esta opinião surge na sequência da conclusão do plano de contingência de socorro às populações para o distrito transmontano, que inclui o auxílio em caso de incêndios florestais e urbanos, de acidentes e de transporte de doentes, nomeadamente de pessoas infectadas com gripe A (H1N1).
O comandante do Centro Distrital de Operação de Socorro de Vila Real, Carlos Silva, explicou que o plano estipula uma articulação, primeiro a nível municipal, depois entre concelhos vizinhos e, se for necessário, com recurso aos corpos de bombeiros dos distrito contíguos.
Ou seja, explica, se uma corporação de bombeiros for afectada pela gripe A, primeiro caberá a outra corporação do mesmo concelho garantir uma resposta e só depois serão accionados os corpos dos concelhos vizinhos.
Para prevenir o distrito contra a gripe A, o governador civil de Vila Real, Alexandre Chaves, promoveu duas reuniões, em Chaves e Vila Real, para ajudar as empresas públicas e privadas e os mais diversos serviços a elaborarem os seus planos de contingência.
A Câmara de Vila Real também já implementou um plano de acção contra o risco de contágio, que contempla a adopção de medidas adicionais de higienização, quer nos edifícios onde funcionam os serviços municipais, quer nos de utilização pública, como piscinas municipais e casas de banho.
A autarquia criou ainda um Gabinete Municipal de Gestão da Gripe, com competências para a adequação do plano de contingência à evolução da situação, tendo ainda identificado os recursos humanos indispensáveis para assegurar os serviços mínimos essenciais e prioritários.
Uma das primeiras empresas privadas de Vila Real a implementar um plano de contingência foi a Corgobus, a concessionária dos transportes públicos urbanos.
O gerente da empresa, João Queirós, disse à Lusa que os seus funcionários tiveram uma acção de formação e, em cada autocarro, foi colocada informação sobre o vírus e fornecidos lenços desinfectantes para os condutores, que contactam com dinheiro e muitas pessoas, poderem limpar regularmente as mãos.
Para além disso, as zonas de contacto dos autocarros, como bancos e barras, são limpas diariamente, havendo também, segundo o responsável, um conjunto de "currículos activos" se for necessário substituir algum funcionário.
O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, um dos hospitais de referência para tratamento da gripe A, registou até ao momento nove casos positivos de infecção com o vírus H1N1, não estando hospitalizado nenhum doente. |