Na primeira reunião ordinária após o caso, que decorreu segunda-feira, o conselho de presbíteros, o órgão que reúne todos os padres da diocese de Vila Real, reflectiu sobre as circunstâncias em que foi feito o arresto do pároco de Covas de Barroso, concelho de Boticas, após a missa das 07:00 de domingo.
Em comunicado enviado hoje à comunicação social, o Conselho de Presbíteros diz estranhar que, "tratando-se de um acto imprevisto, estivessem presentes, àquela hora da manhã, tantos meios de comunicação social e também a Junta de Freguesia de uma paróquia vizinha para fazer depoimento público".
"Perante tais circunstância não se pode impedir de pensar que se tratou de um acto previamente montado para causar impacto social", afirmam ainda os sacerdotes.
O padre Fernando dos Santos Guerra foi detido em plena sacristia suspeito da posse de armas ilegais e depois de ter sido ouvido no Tribunal de Boticas foi constituído arguido, sujeito a termo de identidade e residência e proibido ainda de comprar ou usar armas de fogo.
No decorrer da operação desencadeada pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Chaves, foram detidos mais três suspeitos, apreendidas 16 armas de fogo, milhares de munições e explosivos.
A investigação apurou que as armas encontradas na posse do sacerdote não são legais e que algumas das quais possuem os números de série rasurados, levantando dúvidas quanto à sua proveniência.
O sacerdote insiste na "inocência" já que, segundo alega, apenas uma das seis armas apreendidas pela GNR na Casa Paroquial está ilegal. Trata-se de uma pistola que explica que lhe foi deixada em herança pelo pai.
No documento o Conselho de Presbíteros lamenta ainda que o "aresto se tenha feito na manhã do domingo, com grande alarido e impedindo a celebração das três missas paroquiais em outras tantas paróquias", e que, "sabendo-se antecipadamente que a acusação implicava a presença junto do juiz e que, sendo isso impossível por ser feriado, o padre em causa teria de passar essa noite no posto local da GNR".
Os sacerdotes lamentam ainda que, "sendo as armas apreendidas pertença de quatro homens, elas fossem sistematicamente apresentadas em conjunto enquanto se citava unicamente o nome do padre", tal como a quantidade de agentes envolvidos na operação, alguns dos quais de apresentavam de cara tapada "a lembrar actos de terrorismo".
A GNR não se pronuncia sobre este processo alegando que está sujeito ao segredo de justiça.
No dia 25 de Outubro, cerca de 30 militares cumpriram quatro mandatos de busca, um na aldeia de Covas do Barroso e os restantes na localidade vizinha de Campos.
A detenção do sacerdote na sacristia foi feita por dois militares vestidos à civil.
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