Com o encerramento do jardim -de-infância de Bagueixe, no concelho de Macedo de Cavaleiros, acaba um projecto de leitura para os idosos, desenvolvido pela educadora e pelas crianças da instituição de ensino.
Eram tardes passadas a ouvir ler histórias pela voz simpática da educadora Helena Subtil, ou pelas vozes meigas e suaves das crianças do jardim-de-infância de Bagueixe, que este ano lectivo já não vai funcionar, por falta de alunos. Restaram apenas três estudantes, um número insuficiente para a instituição manter as portas abertas. A partir desta semana, os meninos serão transportados para a escola de Morais.
Os idosos dizem que vão ter muitas saudades do convívio e "da alegria dos pequenitos", conta Eduarda Casimiro, uma das participantes no projecto de leitura, e cuja opinião faz eco da ideia dos restantes seniores. "A aldeia está a ficar parada, só cá ficamos os velhos, as crianças agora saem de manhã e regressam à noite", choraminga. O projecto "aLer+ nas soleiras das portas" foi desenvolvido ao longo do ano lectivo 2008/2009 e surgiu por acaso. No seguimento do empréstimo domiciliário de livros feito pelo jardim-de-infância às crianças, a docente verificou que muitas das leituras eram feitas pelos avós dos alunos, idosos que muitas vezes vivem sós e em situação de isolamento. Helena Subtil notou também que muitos dos residentes mais velhos têm baixos níveis de escolaridade, e não conseguiam ler pelos próprios meios. A aldeia não dispõe de um centro de convívio, onde possam conversar e conviver ou ter acesso a uma biblioteca.
O projecto veio proporcionar momentos de fruição e convívio intergeracional", explicou a educadora de infância. Numa primeira fase, os idosos participaram em "Horas do conto", deslocando-se à escola, a que se seguiu a leitura domiciliária nas soleiras das casas dos que se foram manifestando interessados.
Face ao interesse manifestado pelos idosos, a educadora mantém--se disponível para se deslocar a Bagueixe e continuar a ler histórias.
O presidente da Junta de Freguesia de Bagueixe, Jorge Fernandes, disse, ao "Jornal de Notícias", que, se não houver outra solução, ele se dispõe a transportar a docente à aldeia para ela prosseguir o projecto. |