Guitarras, maracas, flautas e reque-reques são apenas alguns dos instrumentos musicais que é possível construir com resíduos cujo destino era o lixo, mas que com um pouco de imaginação e vontade se podem transformar em brinquedos e até em presentes de Natal. O lema é dar nova vida ao lixo e em simultâneo contribuir para a preservação do ambiente amealhando mais uns trocos na carteira.
Nada se perde tudo se transforma. Em vez de colocar no contentor as embalagens de detergentes, de iogurtes, os rolos do papel de cozinha, tubos de electricidade ou as caricas, Marco Ferreira, animador e actor, sugere que se lhe dê um novo uso e se construam instrumentos musicais. Ontem, em Macedo de Cavaleiros, orientou o atelier de reutilização "Construção de Instrumentos Musicais", onde cerca de duas dezenas de pessoas aprenderam como reutilizar materiais de desperdício e a partir deles construíram instrumentos musicais como os tan-tans, cornetas e até megafones.
"Com esta formação ensinamos a dar outra utilidade aos desperdícios, com objectos que já não tinham utilidade nenhuma construímos instrumentos musicais, inclusivamente é possível ensinar música com eles, nomeadamente percussão", explicou.
O ateliê serviu ainda para fomentar dinâmicas de grupo, jogos musicais e ambientais. Muitos dos participantes são docentes e pretendem levar os conhecimentos adquiridos para as escolas, porque "valoriza a reutilização em todas as suas formas e o aproveitamento de materiais que se usam em todas as casas no dia-a-dia, como o sacos de plástico das compras ", afirmou Margarida Carvalho, técnica de biblioteca e animadora de ATL.
A iniciativa estava inserida na Semana Europeia da Prevenção da Prevenção dos Resíduos organizada pela Ecoteca de Macedo de Cavaleiros, que está a decorrer naquele concelho até ao dia 29, da qual constam ainda palestras sobre reciclagem em aldeias do concelho.
Tudo tem serventia até aquilo que não parece ter mais nenhuma função a cumprir como os pauzinhos das espetadas de carne, desperdícios de madeira, restos de tecido e papel de embrulho. Uma embalagem de um produto para limpar vidros e uns arames podem ser facilmente transformados em guitarra. "É relativamente simples construir os instrumentos, para as crianças pode ser mais difícil dar nós ou fazer furos, mas com a ajuda de um adulto é possível", acrescentou Marco Ferreira.
O grande objectivo é desafiar e estimular a criatividade das crianças, para que lancem um novo olhar aos materiais e uma outra visão sobre os resíduos para que aprendam desde cedo a reutilizar. "A imaginação das crianças está bloqueada nos brinquedos actuais, mas quase sem dinheiro é possível fazer brinquedos divertidos, esta oficina tem um custo muito baixo e poderemos fazer cerca de uma centena de instrumentos, tudo isto tinha como destino o lixo", realçou.
Marco Ferreira tem vindo a realizar estas iniciativas em todo o Norte e o balanço é "muito positivo" sobretudo com as crianças porque têm uma componente prática muito forte, um aspecto também realçado por Maria do Amparo, professora do 1º Ciclo, que explicou que gostou do ateliê, porque se alia o conhecimento com a prática, "depois podemos transmitir aos alunos, que gostam destes trabalhos".
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