A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) duplicou em dois anos a investigação produzida e publicada em revistas cientificas internacionais, disse à agência Lusa o vice-reitor para a investigação.
Eduardo Rosa, disse que os investigadores da universidade de Vila Real passaram de 153 publicações em revistas científicas internacionais em 2006 para as 310 em 2008, fazendo actualmente uma forte aposta na valorização dos efluentes e resíduos dos sectores do vinho, azeite ou panificação.
O responsável espera que em 2009 sejam ultrapassados os 350 artigos, sendo que a sua meta é alcançar os 400 anuais, salientando que, em termos proporcionais, esta foi a universidade que "mais cresceu em produção científica".
Na véspera de assinalar o Dia Nacional da Ciência (comemorado hoje), a academia transmontana inaugurou uma exposição com 46 fotografia de António Sá, colaborador da National Geographic, que proporcionam uma espécie de roteiro da investigação efectuada na UTAD nos últimos anos.
Espalhados por oito centros, a instituição possui 230 investigadores, mais 244 colaboradores desta academia e 258 provenientes de outras instituições de ensino superior.
De acordo com Eduardo Rosa, uma das grandes apostas da UTAD neste momento é o Centro de Química, que integra 25 investigadores, a está a desenvolver trabalhos a nível do tratamento e valorização dos efluentes das indústrias do azeite, vinho, cogumelos, compotas ou enchidos, algumas das actividade económicas mais representativas da região.
Conjuntamente com a empresa de moagem Ceres, a universidade está também a desenvolver um projecto de valorização dos resíduos resultantes da moagem.
Segundo Eduardo Rosa, cerca de 70 por cento da moagem é transformada em farinha, enquanto que os restantes 30 por cento estavam a ser desaproveitados.
Os investigadores da UTAD propõe-se aproveitar esses resíduos para fazer cereais, iogurtes com fibras ou até para alimentação animal, mas querem também inovar as formas de produção e nos produtos.
O vice-reitor diz que as aplicações podem ser muitas e que, este projecto desenvolvido com a Ceres, "é pioneiro" no país, contando com apoio inicial de 25 mil euros de fundos comunitários.
Na área dos vinhos, o responsável diz que o trabalho dos investigadores também passa por aproveitar os sub-produtos ou resíduos para a sua aplicação em, por exemplo, tratamentos dérmicos ou vinoterapia.
Mas, segundo o professor, na área agro-alimentar estão a ser feitos estudos para a produção de compotas tradicionais dietéticas, para os azeites aromáticos ou patés de azeitona com elevado poder antioxidantes.
A UTAD faz uma forte aposta na área da vinha e do vinho, estando a desenvolver dispositivos inteligentes e autónomos, que efectuam a monitorização remota das condições climáticas nas vinhas.
"É a chamada viticultura de precisão. Ou seja, a tecnologia vai-nos dizer quando é preciso regar, aplicar os herbicidas ou tratamentos nas plantas, em que videiras e quantas vezes", salientou.
Eduardo Rosa referiu outras inovações como a datação de árvores antigas sem as danificar ou estudos de avaliação da composição corporal, estes efectuados pelo Centro de Investigação em Desporto e Saúde, onde desenvolvem trabalho 264 investigadores.
Em 2004, a UTAD investiu cerca de um milhão de euros em equipamentos de ponta para os mais diversos centros, e, segundo Eduardo Rosa, cerca de cinco por cento dos cerca de 30 milhões de euros do seu orçamento anual são destinados à investigação científica.
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