Durante muitos anos, os resíduos foram eliminados pela simples deposição em lixeiras, possuindo cada vez mais substâncias químicas e tóxicas. Eram fonte de maus cheiros, doenças e contaminação das águas. Verdadeiros cancros situados numa região com um vasto potencial turístico.
Com o objectivo de resolver este grave problema ambiental, Lamego e os restantes municípios do Vale do Douro criaram o Sistema Multimunicipal de triagem, recolha selectiva, valorização e tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos do Vale do Douro Sul, nos termos do nº 2, do artigo 1º do Decreto-Lei nº 379/93, de 5 de Novembro, que integra, como utilizadores originários, os municípios de Lamego, Armamar, Cinfães, Moimenta da Beira, Penedono, Resende, S. João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço e Tarouca. A exploração e gestão do Sistema Multimunicipal foram atribuídas, em exclusivo e em regime de concessão, por um período de 25 anos, à sociedade Residouro – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S. A.
Todos os resíduos produzidos por estes concelhos são depositados, desde Dezembro de 2001, no Aterro Sanitário de Bigorne, situado no município de Lamego, junto ao IP3, obedecendo a técnicas e métodos próprios, com vista a eliminar eventuais danos ambientais e cumprindo as directrizes do Governo português e da União Europeia que zelam pela saúde ambiental. Esta infra-estrutura constitui a solução técnica mais adequada ao tratamento dos resíduos sólidos urbanos produzidos em Lamego e na região, para além de já ter permitido a selagem de várias lixeiras a céu aberto no concelho. O valor investido na construção deste importante equipamento foi de 7.716.064,64€, empregando actualmente 30 funcionários.
O aterro protege o solo, o ar e a água
A recolha dos resíduos sólidos é uma actividade corrente na região. A maior parte da recolha é indiferenciada, ou seja, os resíduos urbanos são todos misturados e colocados em sacos de plástico dentro de contentores que, posteriormente, são recolhidos por viaturas apropriadas e transportados para o Aterro Sanitário.
A deposição dos resíduos é orientada e controlada por um responsável presente no local.
Após a deposição, procede-se à compactação dos resíduos de forma a diminuir o volume ocupado pelos mesmos. No final do dia são cobertos com uma camada de cerca de 20 centímetros de terra para evitar a libertação de odores desagradáveis, espalhamento de resíduos leves e diminuir o risco de incêndio.
Os produtos resultantes da deposição dos resíduos orgânicos em aterro, são os resíduos decompostos, os gases e as águas lixiviantes que arrastam consigo produtos em decomposição e substancias quimicamente activas. Estas, se não forem devidamente tidas em consideração, poderão atingir cursos de água ou o lençol freático e provocar graves problemas de poluição do solo e da água.
No Aterro Sanitário de Bigorne, existe um sistema de impermeabilização para evitar fugas e um sistema de drenagem de águas lixiviantes, encaminhando-as para uma estação de tratamento de lixiviados onde se obtêm dois tipos de produtos: um efluente líquido que não apresenta risco de contaminação, podendo ser libertado para cursos de água, e um outro produto concentrado, que é poluente e fica depositado no aterro.
O aterro protege o solo, o ar e a água. Depois de atingida a sua capacidade limite de recepção de lixos, este equipamento será encerrado e recuperado paisagisticamente, de modo a continuar a promover as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida actual dos lamecenses e das gerações futuras.
Ainda restam muitos anos de vida ao Aterro Sanitário de Bigorne, no entanto, já se iniciou a reflexão acerca da futura utilização daquele espaço. Quando for encerrado, poderá nascer ali um parque desportivo, um jardim ou qualquer outro equipamento público.
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