Sábado, 12 de Junho de 2004.
Não pensei noutra dia durante a semana, queria que chegasse rapidamente para gritar pela nossa selecção. Depositei, tal como todos os portugueses, máxima esperança neste dia. De camisola vermelha e verde envergada e lenço das quinas enfiado na cabeça, acompanhado pela Susana (minha noiva) que tinha como saia uma bandeira da nação, entramos no metro rumo à Praça D. João I, no Porto, para assistir ao jogo Portugal – Grécia, em ecrã gigante. Tudo apontava para um fim-de-semana perfeito, pois aproveitava os últimos dias de férias. Portugal sofre o primeiro golo. Recebo uma mensagem do meu amigo Tó Ribeiro, que me preparava para uma notícia trágica que se veio a confirmar prontamente com uma chamada: “Morreu o teu amigo Pedro Moutinho!”. Depressa esqueci o futebol e pensei que de facto a vida é o bem mais precioso ao ser humano! Mas, não conseguia aceitar que a morte me tinha levado mais um amigo. Desorientado e banhado em lágrimas pelo choro compulsivo galguei a multidão e depressa liguei ao nosso amigo comum - Rui Correia – na esperança que me dissesse que tudo seria um equívoco. Mas não! Acabei por ser eu a dar-lhe a triste notícia. E que cruel…uma grua de dezenas de toneladas caiu em cima da cabine do camião que conduzia. Teve morte imediata. Ficaram 33 anos de história! A vida é isto? Que injusta é! Que pequeninos somos! Como é fácil romper sonhos e criar pesadelos reais… Conheci o Pedro Moutinho quando entrei para o Colégio de Lamego, tinha eu 10 anos e ele 11, com a subtileza de ele ter nascido dia 5 de Março e eu no dia 10 do mesmo mês. Éramos apenas uns meninos com uma ligação em comum – Concelho de Alijó -, mas foi um elo que nos uniu para toda a vida! Fizemos muitas viagens juntos, pois aproveitava a boleia que o seu pai – Sr. Benjamim - me dava até ao Pinhão onde estava depois o meu pai à espera! Foi assim algumas vezes! Quando o meu pai se atrasava brincávamos em sua casa. Fomos colegas da mesma turma e amigos durante estes últimos 22 anos. Já adultos, reuníamos repetidamente o trio do Colégio – eu, o Pedro e o Rui – para jantar, divertir e conversar sobre nós, a família, os negócios, enfim, matar saudades e sentir que nós três éramos apenas um! Até fomos os três em Janeiro falar com o Sr. Padre Avelino para que este viesse celebrar o meu casamento juntamente com o meu amigo Sr. Padre Aires! Tínhamos tanto para viver…Esta morte brutal!, não só esquartejou a família como também todos os que tiveram o prazer de o conhecer! O Pedro era um Bom Homem Bom! Uma pessoa de bem. Um pai e marido exemplar e um filho como todos os pais desejam! Mas, além de uma perda irreparável para a família e amigos, o Pinhão e o Concelho de Alijó também empobreceram com a partida prematura de um jovem sério, empreendedor, determinado, audaz, activo, que investiu muito e tinha ainda muito mais a dar ao progresso e desenvolvimento da nossa região nestes próximos anos. Além de verdadeiro amigo, privei muito de perto nos últimos meses a nível profissional e sou testemunha da série de projectos potenciadores para o nosso concelho que se iriam tornar realidade. A urbanização e lotes de terreno no Pinhão (tínhamos apalavrado um), um bar flutuante para o cais do Pinhão, uma pedreira que adquiriu no Marco, uma armazém de vinhos na Zona Industrial de Alijó, entre outros investimentos, espelham bem a capacidade obreira aliada à vontade em engrandecer o seu berço amado – Pinhão! À mãe, ao pai, à irmã, esposa e filhos e demais família, resta-me desejar-lhes as minhas sinceras condolências e peço a DEUS que ajude o Pedro a descansar a Seu lado em paz eterna. Para mim, guardo os nossos momentos de alegria, os nossos segredos, a nossa amizade e a imagem da sua cara cristalina que espelhava bem a alegria e a contagiava por onde passava… Adeus Pedro, vais estar sempre comigo, até um dia destes… Com saudade eterna, o amigo Jorge Luís Carvalho
|