Com a circulação do euro, a partir de Janeiro, vai ser mais fácil fazer contas e comparar o que se passa nos outros países e em Portugal: as diferenças nos preços e nos salários vão ser mais visíveis.
Se nos preocuparmos em fazer as contas chegamos facilmente a duas conclusões: os portugueses são os mais mal pagos da Europa e com um dos piores níveis de vida dentro da eurolândia. E o pior das duas conclusões, é que não será fácil remediar a situação, uma vez que serão precisos quase 52 anos para que Portugal atinja o nível médio de vida dos países da zona euro.
Senão, vejamos.
O salário mínimo português é de 67 mil escudos. O mesmo é dizer 334 euros.
Mas se viajarmos uns quilómetros e atravessarmos a fronteira, vemos que o salário mínimo é pago em Janeiro com mais uma nota de 100 euros, porque os espanhóis recebem 87 contos por mês, pelo salário mais baixo. Se, por ventura, resolvermos ainda atravessar mais uma fronteira, estamos em França, onde se ganha como salário mínimo entre 223 e 237 mil escudos, ou seja, entre 1100 e 1200 euros. Mais oito notas de 100 euros.
Contas feitas, em oito países da eurolândia os salários estão, em média, 80 por cento acima do português. Em Espanha, o salário médio supera o nacional em 62 por cento.
Curiosidade, ou talvez não, quando se analisam os salários altos líquidos da Europa, a variação relativamente a Portugal já não é tão grande. O Reino Unido é o país onde se recebem os salários mais elevados, seguido do Luxemburgo, da Alemanha, da Áustria e da França.
Portugal posiciona-se no 11º lugar, sendo que a média de um salário alto ronda os 57 mil euros por ano, ou seja, cerca de 11 mil contos por ano, cerca de 800 contos por mês, situando-se, por exemplo, acima de um salário alto da Suécia.
Comparando os preços praticados em Portugal, que são muito elevados, com o salário médio de um português, pode-se concluir que o nível de vida dos portugueses é um dos mais baixos da União Europeia.
De facto, para que os portugueses possam atingir o nível de vida que os austríacos têm agora, precisa de 70 anos, 65 anos para atingir o nível de vida dos belgas e 44 para atingir o dos espanhóis.
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