Que melhor altura, que o início do novo ano, para se fazer uma síntese (ainda que pessoal) sobre os dois anos passados da politica local alijoense? Parece que foi ontem (pelo menos para mim) que circulavam cartas anónimas e cobardes atentatórias ao bom-nome de diversas pessoas. Parece que foi ontem (pelo menos para mim) que contestavam as redacções, crónicas, notícias e textos, enfim tudo que levasse o meu nome assinado…daí até então ninguém questiona os meus pensamentos… Parece que foi ontem (não só para mim), que se faziam ouvir os altifalantes dos carros dos respectivos candidatos a anunciar os seus programas e promessas. Mas, consumimos a idade muitas vezes sem nos apercebermos. Aqui estamos, infelizmente não todos, pois alguns partiram, mas, felizmente, com outros que entretanto nasceram. A vida é mesmo assim! Marchamos com o tempo e este, molda-nos a vida. São evidentes as dificuldades que desgastam o país, pois na realidade todos sentimos. Também sabemos, que o chamado interior vive essas adversidades no mínimo a dobrar! Mas, só nós, que por cá andamos, as vivemos! Esta é uma grande diferença do Homem Duriense: coabita os seus problemas e os dos outros, muitas vezes ao longo da vida, em simultâneo. Por isto, mas não só, é um Homem que se distingue pela excelência…
Quando o actual executivo camarário começou a exercer, apanhou o seu próprio partido agastado, vendo-se afastado por uma brigada de políticos que chega ao governo através de uma aliança forçada PSD – PP, iniciando funções com uma relação de promessas que fizeram crer ser a solução para um “País de tanga”! Às muitas posições assumidas, entre elas, a defesa de uma discriminação positiva para o interior, responde com a impossibilidade de endividamento das autarquias! Que seriam das empresas se a isto fossem obrigadas? O sentido empresarial que acelerou para a gestão privada dos hospitais – nomeação de gestores - não passam de tachos acumuladores de dívidas, com as listas de espera cada vez mais inchadas…mas, testemunha bem o alcance das suas políticas! Ao incentivo de investimento privado, responde com cargas fiscais excessivas (nesta matéria, só daqui a 4 ou 5 anos se vai notar) e congelamento de salários. O que mais parece um cenário para um filme de pânico, transforma-se em pura realidade. Claro está, que tudo se torna mais difícil para quem procura incrementar as suas terras e se sente cada vez mais isolado. Tenho para mim, que estes próximos dois anos a nível local vão ser marcantes afirmativamente, embora com muitos obstáculos.
Se foi possível elaborar uma panóplia de acções com um panorama tão negro, vai ser possível desenvolver muito mais a partir de agora. Entregaram-se as casas dos bairros habitacionais, realizou-se uma Feira – Revidouro – com vigor local, regional e nacional, fizeram-se múltiplos eventos, promoções, festividades e uma exposição de craveira mundial – II Bienal de Gravura -, lembrando o que terá sido certamente mais marcante - a abertura do Teatro-Auditório pela mão do Exmo. Sr. Presidente da República Dr, Jorge Sampaio, uma obra à altura dos investimentos que se exigem para a cultura moderna, independentemente da localização. A ligação ao IP4, tão ambicionada por todos, está a dar sinal de vida, enfim, um sem número de empreendimentos e realizações. Algo se fez pelo concelho, mas, muito há ainda a fazer, também por isso ainda temos mais dois anos, considerando o das eleições o mais substancial! No entanto, errado é fazer pensar, que tudo o que se realizou ou pode vir a concretizar, seja uma dádiva ou uma mendicidade! Os políticos têm (ou devem ter) obrigações públicas e o sentido de estado orientado para o préstimo social! Nunca o inverso! Felizmente, começa a sobressair uma cultura mais moderna introduzida paulatinamente por autarcas jovens com qualidades humanitárias! Assim devíamos ser todos, particularmente os políticos! Pois é, o tempo passa, não tarda nada e estamos aqui (se Deus quiser) a farfalhar sobre estes dois anos que ainda não passaram… mas o tempo passa? Ou nós passamos pelo tempo…? O melhor, é sentir que não estamos sós…e viver o tempo!
Jorge Carvalho
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