Há alguns dias atrás, andou por estas terras uma jornalista de uma Estação de Rádio muito conhecida, veio em busca de uma aldeia chamada COIMBRÓ. Com certeza por ter sido alertada, decidiu visitar-nos para denunciar os atrasos naturais que aqui se sofrem devido à distância das grandes cidades. Ainda bem que se pode de vez em quando dar voz às reclamações dos nossos conterrâneos.
Há, sem dúvida, muito para fazer. A interioridade é um facto, mas não haverá maneira de a mencionar sem lhe emprestar um cunho marcadamente miserável? Afinal há muita gente que vive mal porque não faz nada para viver melhor.
Situada na freguesia de Cerdedo, Concelho de Boticas, aldeia anexa no âmbito dos serviços do Gabinete de Apoio ao Cidadão de Alturas do Barroso, Coimbró tem hoje em dia uma média de 55 pessoas a viver permanentemente na aldeia, duplicando essa população na altura das férias do Verão.
Tem luz e água canalizada há mais de 25 anos, telefone para quem quer e pode ter e ainda um posto público para os outros. A escola tem 6 alunos que têm acesso a um computador com ligação à internet e onde podem aprender coisas novas na hora de serviço do GAC. Na capela diz-se missa a pedido dos fiéis.
Duas estradas ligam a aldeia, uma à aldeia do Telhado (Concelho de Montalegre) e outra à aldeia de Alturas do Barroso. Está ainda programada uma ligação para a Vila da Ponte (Concelho de Montalegre), são uns meros 2,8 km de estrada que deverão estar concluídos até 2006 e que darão acesso directo à Estrada Nacional 103 (Braga-Chaves).
Para além disso, está em melhoramento, uma estrada pela serra das Alturas que vai dar acesso à Estrada Nacional 311. Estas vias são sinuosas e talvez apertadas mas não se podem construir vias rápidas e grandes viadutos para um número de população tão limitada e em aldeias de montanha com relevo tão característico.
A população tem vindo a desenvolver o que melhor sabe fazer em termos de agricultura e pecuária. Existe uma grande exploração leiteira e várias outras com apreciáveis rebanhos de caprinos. Isto não se consegue sem muito trabalho com certeza, mas quem consegue seja o que for sem esforço?!
Existe também uma loja que permite às pessoas fazer compras, telefonar, beber qualquer coisa e travar dois dedos de conversa. Deslocam-se à aldeia vários carros com carnes, peixes, frutas, mercearia e até roupas e calçado.
Onde não se nota grande dinâmica é nas actividades de âmbito sócio – cultural, à semelhança doutras aldeias.
Mas pergunto eu então... De quem depende a animação de uma aldeia, de um bairro ou de uma freguesia? Não é das pessoas que lá vivem?
Faltam arranjos e melhorias que dependem de uma Câmara ou de uma Junta? Então por que é que não se fala directamente com os representantes eleitos, para os pôr ao corrente do que está em falha?
Falta um local para o convívio?
Quem se põe à frente de um projecto para criar, um café ou um centro socio-cultural?
Faltam transportes?
Quem se compromete a utilizá-los com frequência para que uma linha de transportes públicos seja viável?
Faltam serviços? Foi instalada uma permanência do Gabinete de Apoio ao Cidadão de Alturas do Barroso. Pode fazer – se pagamentos, confiar recados para a Vila, fazer perguntas sobre todo o tipo de assuntos, aprender a utilizar um computador... Quem está a utilizar este serviço?
Há com certeza, muito para fazer. Mas existe também muito que apenas depende de nós, porque somos nós os habitantes deste interior tão necessitado e seremos nós também os beneficiários directos dos melhoramentos que quisermos e soubermos liderar.
Não se pode estar sempre à espera que o Governo faça alguma coisa, somos nós como cidadãos que deveríamos fomentar projectos para animar as nossas aldeias, é a nós que nos compete participar activamente na vida pública.
Não serve de nada ficar agarrados a memórias e repetir a ladainha do “antigamente é que era”. Quem povoa as nossas aldeias hoje, somos nós e se elas estão assim tão tristonhas e paradas a culpa é nossa. E ponto final!
Maria Augusta Barroso Pires
GAC de Alturas do Barroso |