Alijó, é parte integrante de um concelho plantado na margem direita das águas do rio que nutre uma das mais recentes paisagens reconhecidas pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade - O VALE do DOURO. Talvez por isso, comece por ser desnecessário apresentações. No entanto, é sempre uma honra escrever sobre esta ilustre população.
A Vila de Alijó é sede concelho que alberga 19 freguesias, tornando-se num dos maiores produtores de Vinho do Porto. Este berço de fertilidade, é efectivamente parte fundamental de uma região em clara expansão. De adormecido neste recanto, apenas o silêncio que ecoa nos morros e vales lapidados harmoniosamente pelo primor artístico do talento dos Durienses. O galardão que contemplou a Região do Douro em geral e parte deste concelho em particular, é uma distinção justa para os homens e mulheres que trabalham de sol a sol há séculos. É o reconhecimento pela imensidão da talha que brotou dos calos das mãos ásperas e dos suores refrescados pelas brisas das geadas. É a lembrança das jornadas aquecidas pelo corpo do bago acompanhadas pelo naco de pão de trigo de Favaios. É uma homenagem aos rabelos, contentores de tonéis e pipas que rolaram ao longo da "estrada" amanhada pelas chuvas em direcção à foz do rio que lhe deu nome. Este nobre concelho, faz parte duma paisagem evolutiva de beleza ímpar. Os simpáticos acessos, o acolhimento afável das pessoas, as potencialidades ecológicas, o prodigioso repouso passando pela iguaria gastronómica são factores que se aliam aos miradouros deslumbrados pelo horizonte fascinante. Uma região privilegiada para todos aqueles que procuram o turismo rural. Uma parcela de espaço excepcional para o Ecoturismo. Os caminhos romanos, castros, antas, dolmens e as pinturas rupestres "Pala Pinta", entre outras riquezas, são a prova do património ancestral legado a este povoado. Um concelho dotado de excelentes condições para férias ou para a fuga do stress em busca da qualidade de vida. Uma terra única para viver. A Vila do Pinhão, onde as sombras das ramadas são absorvidas pelas profundezas dos Rios Douro e Pinhão, é a porta de entrada por excelência, seja por via férrea, fluvial ou rodoviária. Desenganem-se os que atribuem lugares paradisíacos apenas às telas cinematográficas ou aos sonhos divinos. Sanfins do Douro, entre outros predicados, é uma vila abençoada pela N. Sra da Piedade, santa divinizada no topo de um dos mais belos miradouros. A própria reserva de caça e pesca, coaduna o desporto ao lazer, devidamente gerida e seriamente administrada incrementar-se-á gradualmente, contribuindo desta feita, para o acréscimo da riqueza endógena, permitindo a prática ordenada e próspera destas actividades cada vez mais procuradas. As ravinas íngremes, os socalcos serpenteados e a pisa nos lagares, fazem parte das mais belas prosas e telas! Mas, nem o melhor pintor consegue expressar a beleza pura reflectida no horizonte, nem o mais conceituado escritor pulveriza na poesia a fragrância envolvente! O xisto, esse esqueleto sublime, não só serve de termostato aos pés da vinha como emoldura a arte construída! Tudo, mas tudo mesmo, são ingredientes indispensáveis à gustação ímpar do néctar gerado, seja o Vinho do Porto ou o Moscatel. Infelizmente, nem tudo tem o vigor da cepa e o tempero da uva! Escusado será dizer, que também esta região paga o preço da interioridade. A perda constante de pessoas (atestada nos últimos censos) aliada ao esquecimento dos governos centrais originam algumas limitações. Estar no seio da primeira Região Vinícola Demarcada do Mundo acarreta prestígio, mas redobra igualmente responsabilidades. Esperemos que a conjuntura económico - política desfavorável e o indício de tempos difíceis que se avizinham, não teimem em desviar este município do seu curso, cuja linha de rumo se pauta pelo investimento no trabalho procurando assimilar o desenvolvimento em busca do progresso. O Auditório, a mais recente obra esplendorosamente implementada perto do imponente Plátano Secular, é a imagem do acompanhamento da vanguarda cultural e social! Por tudo isto e pela imensidão de encanto que só “In loco” consegue sentir, entranhe-se pelo DOURO e não hesite em visitar ALIJÓ ... afinal é .... ali já !!!
Jorge Carvalho
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