Tinha prometido, apesar de me debruçar um pouco sobre esta matéria, nunca escrever acerca dela! A razão? Simples: a delicadeza que os assuntos políticos requerem e o elevado grau de neutralidade que importa relevar nestes momentos. Porém, este não é um momento tranquilo: o país não anda apático como antes, pois o Euro 2004 e a política fazem-no “dançar na corda bamba”.
Portugal atravessa um momento que pelas suas peculiaridades merece um destaque preponderante, mas incute aos portugueses mérito e responsabilidades acrescidas! Fazendo uma analepse, há quinze dias atrás, Durão Barroso via a sua posição fragilizada pelos resultados eleitorais. Hoje, porém, vemos Durão Barroso, audacioso para “estar ao leme” e conduzir a Europa com ambição, não descorando os interesses de nenhum dos países da União Europeia.
Como profissional, pelo status e por uma pesquisa bibliográfica que efectuei movido pela curiosidade estou convencido que o capítulo anterior já está “quase escrito na História”. O tempo encarregar-se-á de mostrar se Durão está, de facto, à altura para tal cargo. Por agora, enquanto Portugueses, devemos estar orgulhosos por termos alguém a dirigir o mais importante cargo da cena internacional europeia.
No entanto, urge colocar a questão: o País vai ficar em mãos de quem? Certamente, o Presidente da República, atento aos desígnios dos portugueses e dos principais líderes partidários e experts das mais diversas áreas saberá usar de parcimónia necessária para colocar em prática a ética utilitarista de Stuart Mill “o melhor para o maior número possível de pessoas”.
Perante este cenário e, em jeito de síntese, vejo-me obrigado a concordar com a declaração proferida por Pedro Mexia de que “a legitimidade e a estabilidade nem sempre jogam no mesmo sentido”. Em boa verdade, não raro, ouvimos lamúrias, desabafos, em jeito de descontentamento com o estado do país e as políticas empreendidas pelo actual Governo. Assim sendo, quando a estabilidade não se mostra capaz de definir o País, impor uma economia forte e mercados em expansão o panorama europeu deixa antever fortes possibilidades de fazer História com um líder português à altura de recriar este “Portugal tão Português”, que ainda se ressente das feridas de outrora. O País vai sair para fora, de cá de dentro! Isto é, não será a Expo 98, nem o Euro 2004, nem tão pouco o Fantasporto que terá lugar em 2005, mas sim a fogosidade de um líder Parlamentar que servirá como (desculpem-me o termo) “cartão de visita” de Portugal na Europa e no Mundo.
Tiago Silva
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